
Depois de três dias no acampamento, voltei, finalmente, pra casa. A menina estava lá fora, parecia que estava congelada, do mesmo jeito de quando eu saí, sentada na grama, celular em mãos e chorando, eu pude ver isso. Joguei minhas coisas na grama de casa e fui até ela.
- Licença, tá tudo bem? Desculpa a pergunta, mas é que você está chorando, e eu já lhe vi chorando antes, três dias atrás. Aconteceu alguma coisa? Sei que não nos conhecemos, mas eu gostaria de poder ajudar de alguma forma. - disse à ela, num tom educado...vai que ela resolvia se abrir.
- Não, não aconteceu nada. Eu tô bem. Obrigada, eu acho. - ela respondeu, enxugando as lágrimas e forçando um sorriso.
- Meu nome é Laura, mas a maioria me chama de Lara. E o seu?
- Sou Jennifer, mas pode me chamar de Jenni
- Prazer - estendi minha mão e a cumprimentei educadamente
- O prazer é meu - ela estendeu a mão para retribuir
- Tá, chega dessa formalidade toda, fala aí, aconteceu alguma coisa? Você já sabe meu nome e meu endereço, já pode me matar se eu contar pra alguém, já pode contratar assassinos e sair livre dessa.
Ela riu, um riso um pouco menos forçado do que o de antes.
- Não aconteceu nada, sério. É que sou meio dramática mesmo.
- E por que o drama? Bom, eu sei que o bairro não é grande coisa e que a casa que vocês compraram tá meio velhinha, fora de moda e necessitada de uma bela repaginada, mas veja pelo lado bom...ela não desabou ainda.
Ela riu de novo, tava ficando um riso mais descontraído, sem ser forçado, e sim, natural.
- É, tem esse lado...mas que ela tá pra desabar, isso você não pode descordar também.
- É, não descordo não.
- Pois é.
- Então o que você acha de uma redecoração?
- Como assim?
- Seus pais vão consertar alguma coisa nela?
- Não são meus pais, são meus tios. Perdi meus pais num acidente de carro, já faz dois anos.
- Oh, nossa...foi mal, desculpa, eu não sabia.
- Tá tudo bem! E eu acho que sim, meus tios querem arrumar algumas coisas e pintar a casa toda.
- Tá aí, que tal você ajudar?
- Como assim?
- A gente pode pegar a parede aqui de fora pra pintar, ou a do seu quarto, eu te ajudo. É legal, eu fiz isso aqui em casa, pintei a do meu quarto e a daqui de fora.
- Uau!
- É, bora? Você vai gostar...prometo que você vai gostar.
- Tá bom! Quando eles arrumarem tudo, a gente começa nosso servicinho.
- Ok! Sua carinha tá melhor, gostei disso.
Ela riu de novo, sem ser nada forçado, totalmente natural.
- É, tô melhor mesmo.
- Olha, vou entrar em casa agora, tomar um banho, e comer alguma coisa. Se você quiser eu volto aqui depois, aí a gente conversa, sai por aí. Que tal?
- É uma boa ideia, mas tá ficando tarde, talvez amanhã. Pode ser?
- Claro, amanhã a gente se fala então.
- Ok! Tchau
- Tchau!
Ela entrou e eu fiquei sem entender, ainda eram quatro da tarde, mas ela deveria ter seus motivos pra não querer sair. Entrei em casa, tomei meu banho e comi um cachorro-quente delicioso que minha havia feito pra mim. Depois peguei a Belinha, minha cachorrinha, e fui dar um passeio com ela, mas tive uma surpresa assim que saí na rua...
- Continua
Por: Aline